O e-mail marketing não morreu — ele ficou mais exigente. O Email Impact Report 2026 da Sinch Mailgun analisou mais de 400 bilhões de e-mails de alto volume enviados em 2025 — um universo que inclui tráfego transacional e programático, não apenas campanhas de marketing — e ouviu 1.234 remetentes. Entre os participantes, 78% disseram que o e-mail é fundamental para o sucesso do negócio e 79% planejavam manter ou aumentar o investimento no canal.
Esses números não provam que toda campanha funciona. Eles mostram que empresas ainda usam e financiam o canal em larga escala. O mesmo relatório encontrou uma falha importante: quase 18% das mensagens analisadas não chegaram à caixa de entrada. A discussão útil, portanto, não é “e-mail acabou?”, mas “que tipo de e-mail ainda merece atenção e consegue chegar até ela?”.
Em resumo
- A Sinch Mailgun analisou mais de 400 bilhões de e-mails enviados em 2025; 78% dos respondentes consideraram o canal crítico para o negócio.
- Entre as empresas que mediam ROI, 60% relataram retorno superior a US$ 10 por dólar investido — um dado autorrelatado, não uma garantia.
- Na beehiiv, 15,68 bilhões de newsletters foram enviados em 2024 e a abertura média da plataforma chegou a 41,24% em 2025.
- Quase 18% das mensagens no estudo da Sinch não alcançaram o inbox: relevância sem entregabilidade continua invisível.
Qual é o veredito dos dados?
O canal está ativo em três dimensões diferentes: escala de envio, intenção de investimento e retorno declarado. Nenhuma delas, sozinha, mede a saúde de uma empresa. Em conjunto, tornam difícil sustentar que o e-mail deixou de ser relevante.
O relatório da Sinch Mailgun combinou telemetria de mais de 400 bilhões de mensagens com uma pesquisa realizada entre setembro e novembro de 2025. Dos 1.234 respondentes, 769 eram clientes das marcas de e-mail da Sinch; 465 vieram de um painel de mercado nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Espanha. Isso dá escala e contexto, mas também concentra a amostra em remetentes de alto volume e mercados específicos.
Entre as organizações que afirmavam medir ROI, 60% relataram retorno acima de US$ 10 para cada dólar gasto e mais de uma em dez chegou a declarar retorno de até 40:1. Ao mesmo tempo, menos da metade disse conseguir medir o ROI com confiança. Essa aparente contradição é uma pista importante: o canal pode produzir valor enquanto a atribuição continua imperfeita.
| Evidência | O que sustenta | O que não sustenta |
|---|---|---|
| 400 bilhões de mensagens analisadas | Uso operacional em grande escala. | Que todo e-mail é marketing ou gera valor. |
| 78% dizem que o canal é crítico | Importância percebida por remetentes. | Receita auditada de cada participante. |
| 79% manterão ou ampliarão investimento | Continuidade planejada. | Que o investimento será bem executado. |
| 60% relatam ROI acima de 10:1 | Potencial entre quem mede retorno. | Um benchmark aplicável a qualquer empresa. |
As newsletters também mostram vitalidade
O crescimento de plataformas de newsletter oferece uma lente mais específica. No relatório da beehiiv sobre 2024, a empresa informa ter processado 15,68 bilhões de newsletters, contra 4,5 bilhões em 2023. O número de publicações na plataforma passou de 26.911 para 52.809 no mesmo período, aumento de 96,2%.
Na edição seguinte, o State of Newsletters 2026 registrou abertura média de 41,24% em 2025, entrega de 98,90%, CTR de 3,23% e reclamação de spam de 0,02% na base da plataforma. Os dados não representam toda a internet e a abertura sofre interferência de mecanismos de privacidade. Ainda assim, mostram um ecossistema com publicação, leitura e monetização ativas — não um canal abandonado.
Nosso artigo sobre por que newsletters bem feitas convertem aprofunda a diferença entre atenção recorrente e resultado comercial.
Então, o que realmente “morreu”?
Perdeu espaço a ideia de que basta ter uma lista e aumentar o volume. Provedores elevaram requisitos de autenticação, descadastro e controle de reclamações. Usuários reconhecem padrões genéricos com rapidez. Filtros avaliam reputação e comportamento. Proteções de privacidade reduziram a precisão da abertura.
Isso atinge principalmente cinco práticas antigas:
- comprar listas e tratar ausência de resposta como permissão;
- enviar a mesma mensagem para toda a base, sem considerar estágio ou interesse;
- usar abertura como prova de receita;
- esconder descadastro ou insistir em contatos inativos;
- otimizar assunto e design antes de resolver autenticação e reputação.
Por que o e-mail continua estrutural?
Ele não depende de um único feed
O e-mail opera por padrões interoperáveis entre provedores. Gmail, Outlook, Yahoo e servidores próprios aplicam regras diferentes, mas uma mensagem não fica presa a um único aplicativo social. A lista também pode ser exportada, desde que consentimento, preferências e descadastros sejam preservados.
Ele combina comunicação e identidade
O endereço participa de cadastros, autenticação, faturas, recuperação de conta, suporte e conversas comerciais. Marketing se beneficia dessa familiaridade, mas precisa respeitar a diferença entre uma mensagem esperada e uma promoção não solicitada.
Ele permite observar ações de ponta a ponta
Parâmetros de campanha, respostas, CRM e eventos no site tornam possível ligar um envio a etapas posteriores. A atribuição nunca é perfeita, sobretudo em ciclos longos e multicanal, mas o canal permite construir uma trilha de evidências mais clara do que métricas isoladas de alcance.
Ele comporta relacionamento, transação e venda
Uma mesma infraestrutura pode entregar confirmação de pedido, atualização de produto, newsletter educativa, convite e acompanhamento comercial. Misturar tudo sem expectativa é um erro; coordenar os tipos de mensagem cria uma jornada coerente.
O maior alerta dos dados é a caixa de entrada
Quase 18% dos e-mails analisados pela Sinch Mailgun em 2025 não chegaram ao inbox. Segundo o relatório, isso coloca em risco até um quinto do retorno potencial para muitas organizações. O dado não significa que 18% de toda mensagem mundial foi para spam; ele descreve o universo analisado pelo fornecedor. Mesmo com essa limitação, dimensiona o custo de uma execução ruim.
Aceitação pelo servidor também não é sinônimo de posicionamento. Uma campanha pode exibir poucos bounces e ainda perder visibilidade no spam ou em classificações menos vistas. Por isso, antes de concluir que “o e-mail parou de funcionar”, verifique autenticação, reclamações, origem da lista, consistência de volume e desempenho por provedor. Veja a explicação completa sobre entrega, inbox e entregabilidade.
Quais métricas substituem a obsessão por abertura?
A abertura ainda ajuda a observar tendências dentro do mesmo ambiente, mas precisa dividir espaço com sinais mais próximos de intenção e valor.
| Camada | Métricas úteis | Decisão possível |
|---|---|---|
| Saúde | Bounce, reclamação, descadastro, autenticação | Corrigir lista, reputação ou infraestrutura. |
| Atenção | Abertura comparável, leitura, clique verificado | Ajustar promessa, assunto e conteúdo. |
| Intenção | Resposta, visita qualificada, cadastro | Identificar tema, segmento e oferta. |
| Negócio | Oportunidade, compra, receita por entregue | Priorizar campanhas e calcular retorno. |
| Relacionamento | Retenção, renovação, crescimento da base ativa | Medir valor acumulado, não só o último clique. |
A própria pesquisa da Sinch expõe o desafio: menos da metade das organizações consegue medir ROI com confiança. Melhorar a mensuração é parte da estratégia, não um detalhe posterior. Defina eventos, identifique campanhas, preserve respostas e registre o que aconteceu depois do clique.
Um plano prático para os próximos 90 dias
Se o canal parece fraco na sua operação, não comece aumentando volume. Crie uma linha de base e melhore uma camada por vez.
- Audite origem e expectativa da lista. Separe clientes, leads, assinantes e contatos sem relação recente. Pare de tratar todos como a mesma audiência.
- Valide SPF, DKIM e DMARC. Confira alinhamento, domínio visível e relatórios antes de otimizar criação.
- Escolha um objetivo por fluxo. Newsletter, nutrição, evento e abordagem comercial precisam de conteúdo, frequência e métrica próprios.
- Instrumente o resultado. Use parâmetros consistentes, eventos de conversão e registro no CRM. Preserve respostas como dado qualitativo.
- Teste com segmentos comparáveis. Mude uma variável relevante por vez e evite conclusões a partir de amostras mínimas.
- Revise a cada quatro envios. Observe tendência de entrega, clique, resposta, conversão e descadastro; ajuste promessa e cadência.
Perguntas frequentes
Redes sociais substituíram o e-mail marketing?
Não. Elas cumprem funções diferentes. Redes ajudam descoberta e alcance; e-mail funciona bem para relacionamento recorrente, comunicação transacional e ações mensuráveis com uma base identificada. Estratégias fortes costumam conectá-los.
O e-mail ainda gera ROI?
Pesquisas recentes indicam retorno relevante entre empresas que o medem. No estudo da Sinch Mailgun, 60% desse grupo relatou mais de US$ 10 por dólar gasto. Como o dado é autorrelatado e depende de atribuição, ele demonstra potencial, não retorno garantido.
Taxa de abertura alta prova que a estratégia funciona?
Não. Aberturas podem sofrer interferência técnica e não mostram o que aconteceu depois. Combine-as com clique verificado, resposta, conversão, receita e sinais de saúde da lista.
Qual é o principal risco atual?
Enviar sem expectativa e perder reputação. Uma mensagem que não chega ao inbox não tem chance de converter; uma mensagem que chega, mas decepciona, enfraquece os próximos envios.
Fontes e metodologia
Consultamos as páginas originais em 7 de agosto de 2026. Mantivemos separado o que é telemetria de plataforma, pesquisa autorrelatada e inferência editorial. Os dados da Sinch se concentram em remetentes de alto volume e cinco mercados; os da beehiiv descrevem apenas sua plataforma.
E-mail continua vivo. Sua operação precisa estar também.
Conheça uma abordagem self-hosted que usa sua própria conta Google e mantém campanhas, respostas e dados sob seu controle.
Conhecer os planos